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Comissão de Organização das Ações Afirmativas promove encontro

A Comissão de Organização das Ações Afirmativas do IFSP promoveu, na última quinta-feira (17), o encontro “Ações Afirmativas: da Implementação ao Acompanhamento”. Realizado com o apoio do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi), o Núcleo de Estudos sobre Gênero e Sexualidade (Nugs) e o Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (Napne) do IFSP, o evento, realizado na última quinta-feira (17), na Câmara Municipal de São Paulo, contou com representantes de várias instituições de ensino e da sociedade civil debatendo ações que visam ao atendimento pleno dos estudantes do IFSP.

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As cotas de acesso no IFSP estão presentes nos cursos técnicos, de graduação, de extensão e também de pós-graduação. Apesar de a oferta para cotistas ser superior à demanda da legislação, a presença dos negros e indígenas no IFSP ainda é baixa, tendo em vista a realidade nacional. De acordo com o último Censo do Ensino Superior no IFSP, dos 10.727 alunos com matrícula ativa, 53,66% são autodeclarados brancos, 26,6%, negros, e 0,29%, indígenas – outros 19,26% não quiseram se autodeclarar. 

A última grande conquista do Neabi foi a aprovação de seu primeiro Programa de Extensão. Serão desenvolvidos dez projetos em oito câmpus do IFSP, “com o objetivo de ampliar nosso conhecimento acerca da história e da cultura africana, afro-brasileira e indígena que, no contexto educacional brasileiro, têm sido sistematicamente negligenciadas”, disse a coordenadora do Neabi, Caroline Felipe Jango Feitosa.

O professor de Libras Thiago Bordignon realizou, junto a outros docentes, a tradução simultânea do eventoA proposta inclusiva do IFSP também conta com outros braços, como o Nugs e o Napne. O Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas está presente em todos os câmpus do IFSP para oferecer acolhimento e atendimento aos alunos com deficiência, com transtorno do espectro autista e com altas habilidades/superdotação. Em 2017, o IFSP atendeu 444 estudantes deficientes. Destes, 54% com baixa visão, cegueira e baixa visão mais cegueira, 13% com deficiência auditiva, 30% com deficiência física e 3% com síndrome de Asperger e autismo.

A coordenadora do Nugs, Priscila de Aquino Matos, afirma que a escola não colabora apenas para a formação profissional de uma pessoa, mas também para sua sociabilidade. Por isso, segundo Priscila, é preciso pensar também na permanência dos estudantes, de forma a garantir sua integridade e formação. “Passamos muito tempo na escola, e os preconceitos sofridos são lembrados por toda a vida, podendo acarretar baixa produtividade dos alunos.”

Educação inclusiva 

Durante o evento, houve mesas-redondas com discussões de temas como ações afirmativas e o desafio de uma educação inclusiva. O pró-reitor de Extensão do IFSP, Wilson de Andrade Matos, afirmou que a educação não se desliga dos Direitos Humanos e, nesse sentido, de todas as formas de inclusão. “Mudar as cabeças demanda tempo e insistência. O espaço acadêmico tem que ser um espaço de resistência, proposição e luta.”

altEm sua fala, a professora do IFSP Vânia Gomes ressaltou a importância de se dar atenção às situações que envolvem adolescentes LGBT em condições de vulnerabilidade social. Segundo Vânia, é preciso haver dentro da instituição um ambiente pedagógico receptivo e pacífico, com atenção ao adolescente que “chega à escola com um histórico de violência, vem de um ensino fundamental em que já teve vivência dos preconceitos endereçados”. Para ilustrar sua fala, a professora afirmou que, quando se menciona a pacificação, o intuito não é resolver problemas com um abraço, mas sim aprimorar as estruturas em todos os níveis para se criar uma educação para a pacificação como política institucional. Vânia também debateu a Educação de Jovens e Adultos (EJA), afirmando que “se alguém está lá, significa que alguma coisa falhou, que não houve ação escolar no tempo apropriado”. Ela frisou a necessidade de se pensar práticas diferenciadas e ações reparadoras no que diz respeito também a essa modalidade de ensino.

Valorização da cultura negra

O professor da Unifesp José Carlos Gomes da Silva ressaltou, em sua exposição, a importância de ações que valorizem a cultura negra e que contribuam para reverter os estereótipos veiculados nas diferentes instâncias. “O combate ao racismo passa por atitudes políticas, mas também de natureza formativa. É necessário um processo de desconstrução do racismo e positivação da cultura afro-brasileira no ambiente escolar”, disse. Segundo o professor, dentro da Unifesp, os projetos partem do ponto de vista da ressignificação e positivação da cultura negra, com o apoio, por exemplo, a projetos de alunos negros da pós-graduação que tratam dessa temática, e a oferta da disciplina (eletiva) “Cultura Afrobrasileira” para os cursos superiores. alt

Fazendo um balanço do tema do evento, o reitor do IFSP, Eduardo Antonio Modena, disse que, por haver na escola um reflexo dos preconceitos da sociedade, as situações de discriminação ainda acontecem dentro do Instituto, mas há um esforço grande para combatê-las, contando com ações de todas as pró-reitorias. “O IFSP se abriu para ouvir e colocar em prática as vontades coletivas. Como sensibilizar nossos servidores? Esse é o nosso desafio”, declarou Modena, que acredita na construção coletiva para a superação do obstáculo. “Sei que é um processo histórico, é cotidiano, é difícil. Que nós tenhamos sensibilidade, e que os diretores de câmpus abracem as indicações das pró-reitorias e dos núcleos.”

 

 

 

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