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Encontrada relação entre casos da Covid-19 e trabalho em frigoríficos

Estudo coordenado por docente do IFSP é parte de um projeto do CNPq; dados são da região Sul do Brasil

  • Publicado: Sexta, 29 de Maio de 2020, 18h50
  • Última atualização em Terça, 02 de Junho de 2020, 10h44

Os pesquisadores Fernando Mendonça Heck, professor do IFSP no Câmpus Tupã, e Lindberg Nascimento Júnior, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), produziram uma cartografia relacionando os casos da Covid-19 com os municípios que mais concentram frigoríficos no sul do país. Os resultados encontrados demonstram que, no interior dos estados dessa região, a presença marcante da atividade econômica de abate de aves e suínos indica semelhança quando relacionada aos casos da Covid-19.

O estudo é parte de um projeto financiado pelo CNPq, intitulado “Cartografia da Saúde do(a) trabalhador(a) em frigoríficos no Brasil”, coordenado pelo professor Fernando Heck, e também está entre as ações do projeto “Corona-GIS”, da UFSC, do qual o Professor Lindberg Júnior faz parte. Foram analisados os casos confirmados de Covid-19 em todos os municípios da região sul, até o dia 20 de maio, e o número de vínculos (empregos) e estabelecimentos associados a frigoríficos de aves e suínos, obtidos via Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).

Mapa Covid-19 - Frigoríficos de Aves

Uma das motivações para a realização da pesquisa, segundo Fernando, foi o crescimento do número de casos do novo coronavírus em cidades do interior da Região Sul do país. Alguns desses municípios apresentam forte concentração da atividade de frigoríficos de aves e suínos, o que levou à interdição de algumas fábricas, por conta da doença, em cidades como Passo Fundo (RS), Lajeado (RS) e Ipumirim (SC). De acordo com o professor do IFSP, a cidade de Chapecó, no Oeste Catarinense, tornou-se a localidade com o maior número de casos de infectados pelo vírus, ao mesmo tempo em que é o município do Brasil que mais emprega no setor de abate de aves e suínos.

Fernando Heck afirma que o setor de frigoríficos já registra um preocupante número de casos de agravos à saúde do trabalhador, relacionados diretamente ao processo produtivo, como as Lesões Por Esforços Repetitivos. Com a Covid-19, a situação dos trabalhadores dessa área tornou-se ainda mais complicada. “Apesar de (os frigoríficos) serem considerados atividades essenciais, o processo produtivo aglomera trabalhadores em ambientes fechados, com baixa taxa de renovação de ar e sem o distanciamento mínimo necessário para evitar o contágio. Tais condições favorecem a proliferação do vírus”, afirma o pesquisador.

Mapa Covid-19 - Frigoríficos de Suínos

De acordo com os pesquisadores, a avaliação foi realizada a partir da difusão da doença, e o encontro de seus padrões espaciais foi obtido por parâmetros de concentração e propagação. Para a produção dos mapas, foram utilizados círculos proporcionais para relação entre tamanho e a quantidade de notificações de infectados, vínculos e empreendimentos por município e técnicas de geoestatística.

“O conhecimento do padrão espacial da Covid-19 não somente oferece possibilidades de criar mapeamentos e produtos cartográficos informativos e de fácil assimilação, mas principalmente a produção de um conhecimento que auxilie nos processos decisórios para a proteção, segurança e saúde dos trabalhadores, especialmente em setores que, em sua maioria, não tiveram as atividades paralisadas em função da pandemia”, disse Lindberg Nascimento Júnior.

Os pesquisadores irão publicar os resultados da pesquisa em periódico científico, mas decidiram publicar os mapas antecipadamente para ajudar os órgãos de fiscalização, a exemplo do Ministério Público do Trabalho. “No momento, sugerimos que exista uma ampla investigação nas empresas para identificar possíveis casos. Posteriormente, é importante adotar medidas de diminuição do ritmo de produção, distanciamento entre os trabalhadores nas linhas de produção e afastar garantindo salários e direitos dos trabalhadores infectados. São algumas medidas paliativas que apontamos no artigo que estamos escrevendo”, contou Fernando.

 

 

 

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