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Bragança terá curso técnico em Automação com foco no mercado

No câmpus, a aproximação com o arranjo produtivo já vem acontecendo por meio do Conexão Indústria e do uso da metodologia PBL

  • Publicado: Quarta, 28 de Agosto de 2019, 09h43

Operar como uma mola propulsora para o crescimento econômico e produtivo do país, fornecendo aos estudantes habilidades e qualificações necessárias para inseri-los no mercado de trabalho. Esse é o objetivo principal do modelo de ensino dual australiano , que em 2021 será implantado no curso técnico em Automação Industrial do Câmpus Bragança Paulista.

No IFSP, além de Bragança, Suzano integra o projeto piloto que usará a metodologia australiana em sala de aula. A iniciativa está sendo viabilizada graças à parceria firmada entre a Agência de Inovação (Inova) e a Assessoria de Relações Internacionais (Arinter) do Instituto com a Embaixada da Austrália. E graças ao empenho dos dois câmpus envolvidos.

Um dos motivos que fizeram com que Bragança fosse escolhido para integrar a ação é o desenvolvimento do projeto de extensão Conexão Indústria, criado com o objetivo de aproximar o IFSP do seu arranjo produtivo local e estando, dessa forma, em grande sintonia com a proposta do modelo dual australiano.

Coordenador do Conexão Indústria ao lado dos professores André Luis Maciel Leme, Edilson Rosa Barbosa de Jesus, Enzo Gaudino Mendes e Ana Gobbo, o também professor Marcos Alexandre Fernandes afirma que há grande expectativa e dedicação para que a implantação do projeto piloto tenha sucesso, por acreditar-se que esse seja o caminho para a formação de novos profissionais com um perfil mais próximo das necessidades do mercado. Segundo Marcos Alexandre, ouvir a indústria torna-se primordial, e os benefícios aos alunos são vários, entre eles uma formação atendendo à demanda de mercado e à formação de um profissional mais qualificado.

Ainda de acordo com Marcos Alexandre, os preparativos para a implantação do modelo dual australiano incluem estudos para se chegar a um bom plano de aula para o novo curso e também o contato com as empresas da região de Bragança Paulista para propor um trabalho conjunto no sentido de pensar quais seriam os perfis dos futuros técnicos em Automação Industrial, para que estejam em consonância com as necessidades atuais do mercado de trabalho.

Conexão Indústria e PBL

O Conexão Indústria é um programa de extensão criado com o objetivo de aproximar o IFSP do seu arranjo produtivo local. Desde a criação do programa, em 2016, o contato com indústrias e empresas da região tem sido frequente, e vários acordos de cooperação já foram firmados no intuito de estimular o tripé fundamental sob o qual se baseia a criação dos institutos: ensino, pesquisa e extensão.

Para o professor Enzo, a preparação de bons profissionais exige que a realidade industrial esteja inserida o máximo possível no cotidiano dos alunos, e isso só é possível trazendo as empresas para perto do ambiente acadêmico. Em três anos de existência, o Conexão Indústria gerou vários frutos, sendo um deles a aplicação da metodologia baseada em problemas, a Problem Based Learning (PBL).

O PBL chegou ao Câmpus Bragança pelo professor Adilson Candido, atual coordenador do curso de Engenharia de Controle e Automação. Ele participou de um programa de capacitação na Finlândia, onde entrou em contato com a metodologia. Ao retornar ao Brasil, Adilson buscou o Conexão Indústria para colocar em prática, em conjunto com o projeto, um pouco do que vivenciou na Finlândia. Foi a partir dessa união de forças que o câmpus começou a utilizar a metodologia PBL com os alunos ingressantes no curso de Engenharia.

Adilson explica que utilizar o PBL já no início da formação faz com que aluno comece logo a compreender como deverá se comportar perante um desafio no mundo real de trabalho. Segundo o professor, na metodologia tradicional, quando os alunos se deparam com os primeiros desafios na vida profissional, demandam um tempo para que aprendam com os profissionais mais experientes da empresa a como agir para solucionar problemas. “Os alunos que vivenciaram o PBL em sala de aula já sabem de antemão o que vão encontrar e estarão mais bem preparados” diz.

No PBL, o discente é protagonista do processo de aprendizagem. A partir de uma situação-problema, ele é estimulado a buscar novos conceitos em um ambiente participativo, colaborativo e dinâmico. Adilson acredita que, nesse processo, os estudantes desenvolvam competências cruciais para o século 21, como capacidade de comunicação, criatividade, autonomia, liderança e proatividade.

Ainda de acordo com o professor, um dos diferenciais do projeto é que a parceria com o Conexão Indústria permitiu que a demanda por uma situação-problema partisse de uma indústria da região, a qual participou ativamente no projeto, acompanhando a execução e auxiliando no processo de avaliação. “A empresa que apresentou a demanda e o tema da situação-problema também é beneficiada, tendo em vista que consegue desenvolver projetos internos prospectando ideias e soluções ‘fora da caixa’, o que favorece a inovação tecnológica”, reflete. Outro importante fator positivo para a empresa, conforme Adilson, é que ela pode utilizar essa ação como um método de identificação de talentos, favorecendo assim os processos de recrutamento e a seleção de futuros estagiários e/ou colaboradores, tendo em vista que os discentes ficam expostos durante todo o processo de resolução dessas soluções e são constantemente acompanhados pela empresa.

O resultado tem sido satisfatório. Pesquisa realizada com os alunos aponta que 69,2% consideram a iniciativa do uso do PBL muito importante.  Ainda, 34,6% avaliam a experiência como excelente, considerando que desde o início do curso o estudante terá atividades integradoras com empresas da área.

 O aluno Carlos Beltrame afirma que a experiência com o PBL tem um saldo positivo, apesar de apontar algumas críticas referentes ao relacionamento com as empresas. “Tivemos alguns pontos desfavoráveis, como falta de informações por parte da empresa e mudança de definição do projeto no meio do semestre.” Para Carlos, porém, essas dificuldades fazem parte do cotidiano real da empresa. “O bom disso tudo é sairmos da zona de conforto e termos uma noção de como será a nossa função no futuro”, diz.

 

 

 

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