Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo
FacebookTwitter1YoutubeInsta

IFSP oferece cursinho gratuito em várias regiões de São Paulo

"O cursinho foi fundamental para preencher as deficiências que eu tinha em algumas matérias. Eu nem imaginava fazer uma faculdade ainda neste ano. Achei que teria de fazer um ano todo de cursinho para me preparar, mas, na primeira tentativa, passei na Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp”, relata Yasmin Naomy França Paulo, ex-aluna do cursinho preparatório para o Enem oferecido pelo Centro de Referência em Educação Profissional e Tecnológica São Miguel Paulista do IFSP.

Yasmim, ex-aluna do cursinho popular do IFSP, atualmente estuda na Unifesp

Enquanto cursava o último ano do ensino médio, Yasmin soube sobre o curso oferecido pelo IFSP bem próximo à sua escola e, no segundo semestre de 2016, frequentou as aulas nas duas escolas. 

A estudante conta que se surpreendeu com a qualidade do curso. “Eu achei incrível a didática dos professores. É diferente do que eu estava acostumada, era uma proposta diferente. A forma com que eles trabalhavam o material foi essencial. Economizei um ano de cursinho e ganhei um ano de faculdade”, comemora Yasmin, agora aluna do curso de Ciências Sociais da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Unifesp, em Guarulhos. “Foi minha primeira prova do Enem. Com a nota ingressei no curso que queria, na universidade que eu queria. Estou amando tudo”. 

Yasmin aponta que as dicas recebidas durante o cursinho popular também ajudaram muito no seu preparo. “Tivemos dicas de como fazer a prova, como direcionar os estudos. Assim pude perceber outras dificuldades e me adequar. Foi um estímulo muito grande.”Alunos do cursinho popular do Câmpus São Roque com o coordenador Vanderlei Silva (abaixado de camiseta azul)

A coordenadora de Ações Sócio-Culturais da pró-reitoria de Extensão do IFSP, Simone Maria Magalhães, explica que além de possibilitar aos jovens de baixa renda o acesso a uma formação a que não tiveram acesso no período regular de estudos, o IFSP proporciona um espaço sociocultural que ultrapassa o conteúdo formal. Além de oferecer dicas, como citado por Yasmin, o Instituto Federal oferece informações para manter os estudantes nas instituições de ensino superior. “Falamos, por exemplo, sobre a assistência estudantil oferecida pelas universidades públicas. Muitos estudantes deixam de estudar porque sabem da dificuldade em se manter, mas desconhecem os auxílios para transporte, moradia e alimentação, a isenção de taxa para inscrição de vestibulares, entre outros benefícios.” 

Foi assim que, aos 53 anos, Milton Dias Campos teve condições de dar o primeiro passo para realizar o sonho de cursar Engenharia. Ele matriculou-se no cursinho popular oferecido pelo IFSP em São Miguel Paulista e foi aprovado para o curso Técnico em Telecomunicações no Câmpus São Paulo. Apesar da dificuldade em acompanhar as aulas, resultado da deficiência de aprendizado anterior e longo período longe dos estudos, Milton não falta às aulas e não pensa em interromper o curso. “Já havia tentado fazer o curso Técnico em Edificações, mas não passei no processo seletivo, então deixei para lá. Acompanhei a construção da unidade do IFSP em São Miguel e, quando ficou pronta, vim participar do cursinho popular. Eu fiz novamente a prova para um curso técnico em São Paulo, fiquei na lista de espera e fui chamado”, recorda Milton. 

O estudante planeja concluir o curso técnico, preparar-se para a prova do Enem e ingressar em um curso de Engenharia em uma universidade pública. “Passei por muitos problemas na minha vida. Minha família sempre foi desestruturada. No início eu tinha muita dificuldade, agora continua sendo difícil, mas estou lutando e sei que essa superação depende do meu esforço. O estudo me ajuda a esquecer meus problemas e ir atrás do meu sonho”, expõe Milton ao frisar que recebeu todo o apoio dos servidores do IFSP em São Miguel.

Gabriela e Gabriel são alunos de Engenharia e lecionam no cursinho popular de PiracicabaOs cursos preparatórios para o Enem e vestibulares são oferecidos de duas maneiras pelo IFSP: por meio do programa institucional de Cursinho Popular da pró-reitoria de Extensão (PRX) ou então por meio dos cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC). Na primeira opção, o projeto recebe apoio e recursos para a aquisição de manteriais de consumo e das apostilas e para o pagamento de bolsas. As aulas do cursinho popular são ministradas por alunos do próprio câmpus do IFSP, os quais recebem uma bolsa mensal de R$ 400 para lecionar a matéria com a qual possui maior afinidade. Já os cursos oferecidos por meio de FIC são totalmente organizados pelos câmpus. Nesse caso, as aulas são ministradas pelos docentes da Instituição. 

Gabriela Lisboa de Almeida, aluna de Engenharia Mecânica no Câmpus Piracicaba (câmpus que criou o primeiro projeto de cursinho popular apoiado pela pró-reitoria de Extensão, no segundo semestre de 2014), leciona a disciplina de Português no cursinho popular. Ela conta que o trabalho desenvolvido no projeto, desde 2015, ultrapassa os muros da escola. “Consegui ótimas respostas de alunos que se mostraram repentinamente apaixonados pela leitura e escrita, posso dizer que muitos deles abraçaram a causa de tentar melhorar o meio em que estão inseridos e despertam, em amigos e familiares, a importância do estudo e da leitura para a construção de uma mente crítica e construtiva.”

Grupo de alunos do Câmpus Avaré que lecionou para a turma de cursinho de 2016Além de ensinar, a futura engenheira também aprende durante o ofício de lecionar. Gabriela, que era bastante tímida, desenvolveu a oralidade e passou a apresentar melhor os seminários do seu curso. “O cursinho popular se mostrou um desafio, desde o preparo das aulas até a forma de transmitir esse conhecimento para os alunos de forma clara. Um desafio que é muito gratificante para meu desenvolvimento como cidadã, pois me mostrou inúmeras realidades e opiniões diferentes e eu convivo em harmonia com todas elas.”

Um dos principais diferenciais desse cursinho, segundo a estudante e docente, é a aproximação entre os estudantes e os professores. “A proximidade de idade ajuda o relacionamento. Todos eles me respeitam e me tratam como amiga, não há uma hierarquia professora/aluno em sala.” A linguagem usada pelos docentes também facilita o entendimento do conteúdo a ser ensinado. Animada, Gabriela dá um exemplo de como essa aproximação é benéfica para os estudantes. “Em todas as vezes em que eu trabalhei Trovadorismo em sala, os alunos tiveram grande dificuldade em compreender, devido à linguagem galega. Eu sempre fiz a ‘tradução’ para o português atual, usando gírias e exemplos. A resposta deles é surpreendente, parte da sala chegou a procurar outros textos da mesma época literária para conhecer melhor as cantigas”, surpreende-se.

Aluno do quinto semestre do curso de Engenharia Mecânica em Piracicaba, Gabriel Leandro Lopes Nanzer é bolsista pelo segundo ano consecutivo do cursinho popular. Em 2016, ele lecionou Química, e agora é professor de Matemática. Ele encarou o desafio para experimentar esse primeiro contato com a docência, e diz que a participação na atividade abre portas no câmpus para outros projetos de pesquisa e participação em eventos. 

Depois que trocou de lado dentro da sala de aula, Gabriel também passou a aproveitar melhor as aulas. “Passei a entender mais meus professores e aproveitar mais as aulas que assisto”, destaca. Gabriel não descarta a carreira de docente no futuro. “Uma das minhas opções, após formado, pode ser a docência em cursos técnicos e, após a realização de um mestrado, no ensino superior. É uma das possibilidades, mas quero aproveitar todas as oportunidades que me forem dadas durante a graduação. Acho que a participação em projetos como esse pode me ajudar a minha decisão e me guiar na minha carreira”, espera o estudante de 20 anos.

Estrutura

Alunos do cursinho popular do Câmpus Caraguatatuba durante aula de física experimentalO grande diferencial dos cursinhos oferecidos pelo IFSP é a estrutura disponível para os alunos. “Eles podem usar os laboratórios, a biblioteca e todos os espaços da Instituição. Nosso projeto de cursinho popular prevê o desenvolvimento de atividades culturais, com visitas, debates, eventos. Mesmo não sendo nosso aluno regular, o aluno do cursinho é parte da comunidade na qual o IFSP está inserido, então ele tem de se apropriar do equipamento público que é o Instituto Federal”, garante Simone, da PRX. 

Diante da relevância desse serviço oferecido à comunidade, a manutenção do cursinho popular é uma prioridade do IFSP, mesmo diante da diminuição dos recursos destinados à Instituição. 

Os cursinhos populares do IFSP são oferecidos nos Câmpus Avaré, Birigui, Capivari, Caraguatatuba, Catanduva, Piracicaba, Presidente Epitácio, Sertãozinho e São Miguel Paulista. Já os cursos de Formação Inicial e Continuada preparatórios para o Enem e vestibulares são oferecidos nos Câmpus Araraquara, Bragança Paulista, Guarulhos, Birigui, Catanduva, Ilha Solteira, Itapetininga, Itaquaquecetuba, Jundiaí, Registro, Pirituba, São Carlos, São João da Boa Vita, São José dos Campos, São Paulo, São Roque, Suzano, Tupã e Votuporanga. 

Alunas do cursinho popular fazem apresentação de dança no Câmpus BiriguiCada turma oferece 40 vagas; no entanto, a procura em alguns câmpus é tão grande que há classes maiores. Em Caraguatatuba, por exemplo, uma das turmas contou com 160 inscritos para 40 vagas. O Câmpus Suzano iniciou a oferta do cursinho popular em 2015, e atendeu, até hoje, 310 estudantes. 

 

 

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo
Rua Pedro Vicente, 625 - Canindé - São Paulo - SP - Brasil - Cep: 01109-010

Movido à Joomla!