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Professor constrói capacete para tratamento da Covid -19

Capacete de baixo custo já está sendo usado em hospitais e apresenta resultados positivos

  • Publicado: Quarta, 17 de Junho de 2020, 11h59
  • Última atualização em Quarta, 01 de Julho de 2020, 10h21

O professor Diego Moreno Bravo, do Câmpus Itaquaquecetuba do IFSP, construiu  um protótipo de um capacete hermético de baixo custo para o tratamento da síndrome do desconforto respiratório agudo em pacientes acometidos pela Covid-19. O equipamento já está sendo utilizado em hospitais do Pará e apresenta resultados exitosos.

A construção do capacete foi feita com recursos próprios do professor do curso Técnico em Mecânica, que contou com a contribuição técnica do fisioterapeuta intensivista Paulo Vitor Cavalcanti da Nóbrega.

Diego revela que, no fim de março, assistiu a um vídeo sobre uma família norte-americana que estava produzindo um capacete para ventilação de pacientes com Covid. “A partir de então, passei a pesquisar mais e a trocar ideias relacionadas ao assunto nas redes sociais. No início de abril, entrei em contato com Paulo Vitor, fisioterapeuta intensivista da Santa Casa de Misericórida de Belém, no Pará, que, num grupo de discussões, postou sobre capacetes utilizados na Itália”, relata. 

Diego e Paulo passaram a conversar com o objetivo de encontrar uma solução que pudesse ser viabilizada imediatamente no Brasil. “Assim, se a proposta funcionasse, qualquer pessoa no Brasil com o mínimo de recursos conseguiria replicar o dispositivo”, destaca o professor.

Diego Moreno Bravo, professor do Câmpus Itaquaquecetuba do IFSP

 

Uma motivação para a pesquisa, conta Diego, foi a impossibilidade de importar os capacetes de outros países e a eficácia no uso do capacete para o tratamento do novo coronavírus, apontada em estudos da Universidade de Chicago, muito superior às máscaras convencionalmente empregadas nos protocolos de ventilação não-invasiva. “Com as informações/necessidades operacionais que o Paulo Vitor me passou, comecei a buscar por embalagens usadas na indústria alimentícia, pois são atóxicas, apropriadas para uso hospitalar”, explica.

O professor chegou às bombonas de plástico empregadas no processo de fermentação de cervejas artesanais, com custo médio de R$ 100 cada uma. Para a conexão das “mangueiras” usadas nos hospitais (traqueias dos circuitos ventilatórios), ele adaptou dois prensa-cabos utilizados em painéis elétricos, com um sistema roscado que permite a vedação e fixação das mangueiras. “Fiz uma viseira transparente usando uma placa de 1mm de espessura de policarbonato, colada com fita dupla-face com um reforço na vedação em silicone. A vedação no pescoço foi adaptada empregando-se bexigas”, descreve.

O custo final do dispositivo é de R$ 200, considerando-se apenas a matéria-prima utilizada. Segundo o pesquisador, o preço de um capacete similar nos Estados Unidos gira em torno de 170 dólares.

Teste

Depois de pronto, o fisioterapeuta Paulo Vitor apresentou a solução à equipe do Hospital Guadalupe, onde também trabalha. A proposta foi submetida à direção-geral do hospital e ao Comitê de Ética, com o intuito de realizar um estudo preliminar observacional de eficácia da Ventilação Não Invasiva (VNI) em paciente com Covid. 

Paulo Vitor revela que o capacete apresentou resultados positivos. Em pouco tempo, os pacientes apresentaram recuperação expressiva em seus quadros de saúde e receberam alta da UTI. O dispositivo viabiliza a aplicação de protocolos não invasivos de ventilação mecânica, oferecendo segurança aos profissionais da área de saúde que atuam no combate à doença, possibilitando ainda que um único ventilador mecânico seja usado no tratamento de múltiplos pacientes (um paciente de cada vez), em sessões individuais cujas durações dependem da tolerância do paciente à terapia, durando normalmente de uma a duas horas, com cerca de três sessões por dia.

Levantamentos feitos na Itália, onde houve ampla utilização de capacetes similares, mostraram que cerca de 1/3 dos pacientes que seriam intubados respondem bem ao tratamento de VNI com o capacete, eliminando a necessidade de intubação. “Vale deixar claro que o capacete não faz milagres: nos casos em que o paciente não apresentar melhora no quadro de saúde na primeiras horas de tratamento com VNI usando o capacete, dever-se-á proceder à intubação. Há também estudos que indicam uma taxa significativamente menor de mortalidade em pacientes submetidos à VNI, em relação àqueles que foram intubados”, esclarece Diego Moreno Bravo.

O docente informa que o capacete hermético feito a partir de bombonas não foi patenteado e está disponível para qualquer pessoa ou instituição que tenha interesse em replicá-lo e empregá-lo no combate à doença. Um total de 15 capacetes já estão disponíveis para uso em três hospitais do Pará.

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