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Projeto de estudantes do Câmpus Campinas do IFSP é premiado na Febrace

Kit para alfabetização em braille ficou com o terceiro lugar. Outros três projetos de alunos do IFSP ficaram entre os finalistas.

  • Publicado: Sexta, 22 de Março de 2019, 20h04
  • Última atualização em Terça, 09 de Abril de 2019, 11h56

O projeto “Interactive Braille: Kit para alfabetização em braille a baixo custo”, desenvolvido por três alunos e um professor do Câmpus Campinas do IFSP, foi premiado na 17ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace). A premiação aconteceu nesta sexta-feira, 22 de março. A Febrace, um movimento nacional de estímulo ao jovem cientista, realiza todo ano, desde 2003, na Universidade de São Paulo (USP), uma grande mostra de projetos com fundamento científico, nas diferentes áreas das ciências e em engenharia.

Este ano a Febrace contou com 332 projetos de Ciências e Engenharia desenvolvidos por 751 estudantes do ensino fundamental, médio e técnico de todo o país. Entre esses projetos, quatro do IFSP foram selecionados entre os finalistas, e um deles, o Interactive Braille, ficou com o terceiro lugar na área de Humanas.

O projeto premiado é orientado pelo professor Edson Anício Duarte, que tem na equipe de desenvolvedores os estudantes Pablo Cavalcante dos Santos, Alex Vieira Pereira e Wagner Roberto de Souza Junior — todos concluíram o Curso Técnico em Eletroeletrônica Integrado ao Ensino Médio no Câmpus Campinas. O kit para alfabetização em braille a baixo custo é composto por uma caixa de MDF em formato de livro, contendo peças de plástico biodegradável e um dispositivo de som. Cada peça representa uma letra do alfabeto e contém um sistema de identificação em braille e um sistema de identificação RFID (Radio-Frequency Identification), integrado com microcontroladores e dispositivos de som para disponibilizar o som de cada letra ao usuário. De acordo com a equipe, o objetivo desse equipamento de tecnologia assistiva é proporcionar autonomia ao deficiente visual, para que ele possa aprender o braille sozinho, de maneira interativa.

O Interactive Braille já tinha conquistado o primeiro lugar na Feira de Ciência e Tecnologia do IFSP — Bragantec. Os membros da equipe se disseram orgulhosos pelo sucesso do projeto e trabalham agora para disponibilizar o som das letras também em inglês. Eles esperam patentear o equipamento e já deram entrada no processo junto à Agência de Inovação do IFSP.

Outro projeto orientado pelo professor Edson, e que também ficou entre os finalistas da Febrace, foi o “Irrigador automatizado a baixo custo para agricultura familiar de reforma agrária”, de Ruan de Paiva Leopoldo, ex-aluno do Curso Técnico em Eletroeletrônica Integrado ao Ensino Médio do Câmpus Campinas. Segundo Ruan, a ideia do projeto surgiu quando ele visitou os agricultores do Assentamento Milton Santos em Americana, região metropolitana de Campinas, e percebeu que eles tinham a necessidade de uma tecnologia que os ajudasse com a irrigação. Pensando nisso, ele e o orientador desenvolveram o irrigador automatizado, no qual o usuário pode programar o horário do início e do fim da irrigação. O protótipo é composto por equipamentos de custo mínimo e de fácil aquisição, como microcontrolador Arduino nano, módulo RTC, display LCD, botões pulsantes e chaves gangorra.

O trabalho faz parte do grupo de pesquisa Núcleo de Estudos em Agroecologia, Educação e Sociedade (NEAES), do Câmpus Campinas do IFSP, e é parte do projeto “Agroecologia, tecnologias de produção orgânica em assentamentos rurais e educação popular”, contando com apoio financeiro do CNPq. A pesquisa empírica foi conduzida nas unidades produtivas familiares dos agricultores, e o protótipo já foi testado em campo.

O projeto do Câmpus Suzano “Produção de Biopolímeros à base da casca da banana” foi outro indicado entre os melhores da Feira.  A equipe da pesquisa é composta pelos alunos Davi Hassan Ferreira Evangelista, Gabrielle dos Santos Carvalho e Maria Luana Bueno Sá, do curso Técnico em Química Integrado ao Ensino Médio. A coordenadora da pesquisa foi a professora Debora Ayame Higuchi.

O intuito é utilizar a casca da banana como uma alternativa ecológica à problemática dos plásticos derivados de petróleo, como o poliestireno expandido, e dos filmes plásticos utilizados na embalagem de alimentos. A equipe desenvolveu diferentes metodologias para a produção de bioplásticos com diferentes aplicações, como um biofilme, que pode ser utilizado como um substituto aos filmes plásticos comuns, e um biopolímero mais fibroso e resistente, que pode substituir as embalagens de isopor, que demoram cerca de 150 anos para se decompor, enquanto o produto derivado da casca de banana começa a se decompor em cerca 30 dias, em contato com o solo. Os alunos obtiveram também um material que pode ser utilizado como um vaso ecológico para o plantio de plantas e flores; ao se decompor, o vaso ainda fornece nutrientes ao solo.

As alunas Milena Guedes Xavier e Millenny Teixeira Barbosa, do Curso Técnico em Edificações Integrado ao Ensino Médio do Câmpus Registro, também estavam entre os finalistas da Febrace. Elas apresentaram o projeto “Procedimentos e cuidados com o solo visando o conforto térmico em ambientes de ensino”, orientado pelo professor Rodrigo Costa Batista.

A pesquisa foi motivada pelo desconforto causado pelo calor, já que as temperaturas na cidade são elevadas, e as árvores plantadas no entorno do Câmpus não se desenvolviam. Então a equipe estudou as características do solo e percebeu que foi retirada uma quantidade muito grande de matéria orgânica, ao mesmo tempo em que foram usados no aterro muitos resíduos de construção civil, o que impedia o desenvolvimento das plantas. Agora a equipe está em contato com engenheiros agrônomos, que vão ajudar na recuperação do solo, ao mesmo tempo em que buscam um mutirão para o plantio de árvores no câmpus.

Critérios de seleção

O Comitê de Seleção considerou diversos fatores para escolher os finalistas. As submissões tinham de ser completas e de acordo com as regras da Febrace, atendendo a critérios como criatividade e inovação, metodologia científica, metodologia de engenharia, profundidade, habilidade, clareza e trabalho em grupo.

Premiação

Os autores dos melhores projetos foram julgados por um comitê de avaliadores composto por mais de duas centenas de professores universitários e especialistas voluntários. Os melhores projetos, em diversas categorias, ganharam troféus, medalhas, bolsas do CNPq e estágios, num total aproximado de 300 prêmios e oportunidades no Brasil e no exterior.

Os finalistas também concorrem a uma das nove vagas de projetos (15 estudantes e nove professores orientadores) para representar o Brasil na Feira Internacional de Ciências e Engenharia da Intel (Intel ISEF), que será realizada de 12 a 17 de maio, em Phoenix, nos EUA.

 

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