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Projeto de estudantes é finalista do Prêmio Jovem de Estocolmo

Estudantes do Câmpus Itapetininga criam sistema de baixo custo de ionização da água

  • Publicado: Terça, 12 de Maio de 2020, 22h21
  • Última atualização em Terça, 19 de Maio de 2020, 15h47

Com o projeto “Tratamento de água de baixo custo para comunidades tradicionais”, as estudantes Kauany Melissa Neves da Silva e Gabriela Beatriz Lima Santos estão entre as finalistas do Prêmio Jovem da Água de Estocolmo. A premiação busca motivar jovens inovadores entre 15 e 20 anos, do mundo todo, encorajando seu interesse em desafios relacionados à água e à sustentabilidade.

As estudantes foram classificadas na etapa nacional da premiação, que selecionará um projeto brasileiro para representar o país na etapa internacional, concorrendo com outros 30 países. O resultado final da etapa nacional está previsto para 5 de junho.

O projeto

Sob a orientação da professora Adriana Marques, Kauany e Gabriela desenvolveram o projeto “Tratamento de água de baixo custo para comunidades tradicionais” nos primeiros meses deste ano. Kauany revela que se inspirou em um projeto que seu pai criou para limpar algas da piscina. “Lembrei que meu pai e um amigo fizeram um ionizador e pensei que a gente poderia fazer algo a partir disso, conversei com a professora Adriana e a Gabriela. A professora indicou que poderíamos utilizar esse processo em caixas d’água de comunidades isoladas e, para facilitar, sugeriu o uso de placas de energia solar, pois várias comunidades não têm acesso à energia elétrica”. A ideia de melhorar a qualidade de vida de várias pessoas no mundo empolgou a dupla.

O projeto consiste em um sistema de tratamento de água com duas fases: pré-tratamento com o ionizador, utilizando energia renovável fotovoltaica, e o tratamento por filtração lenta em múltiplas etapas, que utiliza o carvão ativado. Este último é produzido a partir de um outro projeto de iniciação científica orientado pela professora Adriana.

De acordo com Gabriela, a ionização age como um processo de decantação que dispensa o uso de cloro, ou qualquer equipamento para limpar as caixas d'água. O ionizador proposto é de baixo custo e é reciclável. O processo de ionização traz vários benefícios à saúde das pessoas, visto que ele melhora consideravelmente a qualidade da água consumida e a qualidade de vida desses grupos isolados.

A equipe destaca uma segunda funcionalidade do sistema fotovoltaico: durante o dia ele realiza o tratamento da água e, à noite, é um ponto de iluminação para as comunidades remotas que, muitas vezes, não dispõem de energia elétrica.

A invenção do grupo custa em torno de R$ 320,00, mas “é possível chegar a um custo de R$ 200,00 se for produzido em escala”, afirma Adriana. “Nós vemos bastante pessoas carentes, passando necessidade, e criar um meio para ajudar essas pessoas, a um preço acessível, se torna ainda mais gratificante”, reflete Gabriela, sobre o impacto social de sua pesquisa. Após o período de isolamento social o grupo pretende produzir 30 kits e entregar no Quilombo de Bombas, situado no Vale do Ribeira.

Iniciação científica

Gabriela e Kauany são estudantes do curso técnico em Edificações e destacam o papel da professora Adriana Marques no incentivo à criação de projetos sustentáveis e participação em congressos e premiações científicas.

Professora Adriana Marques, à esquerda, com alunos do Técnico em Edificações

 

Em 2009, a professora Adriana Marques, que ministra aulas para as turmas do curso Técnico em Edificações, resolveu mudar a dinâmica das aulas, e adotou a metodologia ativa, na qual os estudantes participam ativamente dos processos de aprendizagem e construção do conhecimento. Partindo desse princípio, a docente propôs um desafio aos alunos: “A proposta era encontrar os impactos ambientais do Câmpus Itapetininga, com isso, encontramos vários pneus de viaturas jogados. Com eles um grupo de estudantes construiu um espaço de convivência e lazer, outro grupo fez uma composteira com o lixo orgânico encontrado no câmpus. Utilizamos o biofertilizante gerado na composteira para adubagem de um jardim/horta suspenso, que foi edificado com os resíduos de construção civil encontrados na unidade”, conta a docente.

Essa iniciativa gerou vários projetos de Iniciação Científica como: Minimização de impactos ambientais de resíduos sólidos do Instituto Federal: Minhocário; Reaproveitamento de água de chuva para irrigação; Material reciclável da construção civil utilizado para jardim suspenso; Produção de biofertilizante utilizando resíduos do refeitório do IFSP Câmpus Itapetininga e Construção civil e impactos ambientais:  recuperação do antigo canteiro de obras do IFSP - Câmpus Itapetininga. Todos os projetos participaram do IIX Congresso Brasileiro de Iniciação Científica (Cobric).

Kauany conta que “antes de entrar na Federal não tinha nem noção do que era Iniciação Científica, mas está certa de como esse contato pode auxiliar e estimular novos talentos para a ciência”. A estudante afirma ainda que “no Instituto Federal encontrei professores que estavam dispostos a orientar e ensinar os alunos como funciona a Iniciação científica, eu espero que cada vez mais pessoas possam ter ideias para ajudar a sociedade”.

Gabriela reflete sobre o impacto da Iniciação científica na sua vida: “Tivemos muito mais conectividade, criar esse projeto foi uma grande vitória para a gente, e nos tornarmos um exemplo para os alunos foi ainda melhor. Me mudou bastante, me fez pensar mais no próximo”.

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