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Docentes desenvolvem cápsula hermética para tratamento de pacientes com Covid-19

A Agência de Inovação do IFSP (Inova) realizou o depósito da patente

  • Publicado: Sexta, 04 de Dezembro de 2020, 18h54
  • Última atualização em Sexta, 04 de Dezembro de 2020, 20h07
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Os professores Diego Moreno Bravo e Iberê de Oliveira Santos, ambos do Câmpus Itaquaquecetuba, desenvolveram uma cápsula ventilatória hermética. O dispositivo viabiliza a aplicação de protocolos não invasivos de ventilação mecânica, oferecendo segurança aos profissionais da saúde que atuam diretamente no combate à doença e ampliando a capacidade de ação do número limitado de ventiladores mecânicos disponíveis em unidades de saúde.

O surgimento e a rápida disseminação da Covid-19, doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, gerou uma demanda sem precedentes por equipamentos de assistência à respiração, para o tratamento da síndrome do desconforto respiratório agudo grave, um dos efeitos críticos da doença.

Existem diferentes protocolos médicos para o tratamento da deficiência respiratória, incluindo intervenções invasivas e não-invasivas, recomendadas em função do estado e reação do paciente ao tratamento. Os métodos invasivos possuem diversos inconvenientes clínicos ao paciente, dentre os quais a necessidade de sedação e riscos aumentados de infecção, além de requererem obrigatoriamente o uso de ventiladores mecânicos para o controle do suprimento de ar, inconvenientes evitados nos métodos não-invasivos.

No caso do tratamento de pacientes infectados com o Covid-19, entretanto, a utilização de métodos não-invasivos com a utilização dos equipamentos e dispositivos usuais, como as máscaras faciais ou cânulas nasais, não é viável, devido ao risco de contaminação dos profissionais de saúde pelo ar exalado pelo paciente.

Com intuito de minimizar o risco de contaminação e auxiliar os pacientes no processo de recuperação, a equipe propôs um dispositivo dotado de configuração hermética, que viabiliza a utilização da terapia não-invasiva, por evitar a saída de ar contaminado ao ambiente, exalado durante o tratamento, minimizando, assim, a necessidade de procedimento invasivo (intubação) em 20 a 35% dos pacientes acometidos pela enfermidade, conforme relatos da experiência médica no enfrentamento ao Covid-19 na Itália.

Buscando suprir essa carência tecnológica e viabilizar o emprego de técnicas de ventilação não invasiva (VNI) nos hospitais brasileiros, especialmente em pacientes acometidos pela Covid-19, os docentes desenvolveram uma cápsula hermética que envolve totalmente a cabeça do paciente.

O equipamento elimina o efeito de aerossolização do vírus no ambiente através de um controle rigoroso dos gases que entram e saem da cápsula hermética, viabilizando o adequado controle do ar exalado pelo paciente através de um filtro HEPA, cuja membrana é capaz de reter bactérias e vírus. Os professores buscaram conceber componentes que pudessem ser produzidos em larga escala, em um curto prazo, a um custo reduzido, e que pudessem ser reutilizados sucessivas vezes após passarem pelo devido processo de esterilização. De acordo com os docentes, o projeto apresenta um conjunto de características inovadoras em relação aos projetos disponíveis, com uma série de melhorias funcionais, além de explorar processos de fabricação disponíveis no arranjo produtivo local que permitem a produção do equipamento em larga escala e a um custo reduzido.

A cápsula hermética do IFSP conta com um invólucro transparente confeccionado em peça única e sem a presença de quaisquer tipos de emenda. Tal característica, isoladamente, já diferencia o modelo do IFSP daqueles disponíveis no mercado mundial cujos invólucros são confeccionados, em regra, a partir de diversas partes de material flexível unidas por cola, adesivos e/ou algum tipo de solda. Assim, neste aspecto, o projeto do IFSP agrega confiabilidade ao dispositivo, já que pontos de emenda são mais suscetíveis a vazamentos, além de permitir a obtenção de geometrias que otimizam o volume morto no interior da cápsula hermética ventilatória.  Além disso, os componentes são independentes entre si e montados por encaixe, o que permite que os itens de custo mais elevados possam ser esterilizados em autoclave e reutilizados.

Um protótipo totalmente funcional foi construído pelos docentes com o apoio da direção do Câmpus Itaquaquecetuba, da fabricante de embalagens plásticas Fenitech, a qual o IFSP tem um acordo de cooperação; do Câmpus Sorocaba, onde algumas peças de maiores dimensões foram fabricadas através de processo de manufatura aditiva (impressão 3D). Nesta etapa, houve também o suporte técnico do Professor Ítalo Leite de Camargo, do Câmpus Itaquaquecetuba.

O protótipo foi submetido a uma série de testes no IFSP, e também no Hospital Universitário da UFSCar, onde contou com apoio de pessoal médico de tratamento intensivo (UTI), apresentando resultados bastante satisfatórios e mostrando-se adequado para utilização no tratamento de pacientes com insuficiência respiratória.

No dia 2 de dezembro de 2020, a Inova depositou no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a patente de Modelo de Utilidade denominada “Aperfeiçoamento em Cápsula Ventilatória Hermética”, referente a esse projeto. Empresas que tenham interesse em fabricar e/ou comercializar o dispositivo podem entrar em contato diretamente com os professores envolvidos ou com a Inova.

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