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Pesquisadores do IFSP descobrem sensor de radiação UV

Estudo foi publicado no Journal of Luminescence e repercutido em sites internacionais

  • Publicado: Quarta, 10 de Junho de 2020, 14h41
  • Última atualização em Quarta, 01 de Julho de 2020, 10h21

Um estudo realizado pelo professor Neilo Marcos Trindade e pelos alunos da Licenciatura em Física do Câmpus São Paulo Matheus Cavalcanti e Maicon Gois trouxe uma nova descoberta para comunidade científica: a sensibilidade do óxido de alumínio dopado com carbono e magnésio (Al2O3: C, Mg) à radiação ultravioleta (UV). A pesquisa, que contou com a colaboração da professora Elisabeth Mateus Yoshimura, do Instituto de Física da USP, e do professor Luiz Gustavo Jacobsohn, da Clemson University, dos Estados Unidos, resultou no artigo "Thermoluminescence of UV-irradiated α-Al2O3:C,Mg" publicado no Journal of Luminescence, da plataforma ELSEVIER, uma das publicações mais prestigiadas na área de Luminescência de Sólidos.

De acordo com o professor Neilo, o óxido de alumínio dopado com carbono (Al2O3: C) já era amplamente conhecido por sua alta sensibilidade a vários tipos de radiação: raios X, beta e gama, sendo usado na dosimetria de radiação ionizante pessoal e ambiental. No entanto, não havia relatos na literatura quanto à monitoração de radiação ultravioleta. “O que nós descobrimos é que o material passa a responder também à radiação UV quando dopado com magnésio além do carbono”, disse. O estudo dos pesquisadores do IFSP foi repercutido por sites internacionais como o EurekAlert! Physis.org, News medical, entre outros.

Segundo o pesquisador, o uso de lâmpadas artificiais de radiação ultravioleta tem aumentado, principalmente nos tratamentos de desinfecção de materiais cirúrgicos, indústria de alimentos, tratamento de água e extermínio de microrganismos no ar em salas de cirurgia. Segundo ele, os profissionais que são expostos a esses ambientes, por exemplo, estão suscetíveis a graves problemas de saúde ocasionados pelo excesso de exposição à radiação UV, como câncer de pele, a formação de catarata e outras enfermidades. “Tendo em vista o risco à saúde pública, a busca por novos materiais dosimétricos sensíveis a esse intervalo de radiação e métodos práticos para detecção de UV torna-se cada vez mais necessário”, afirmou.

O professor contou que iniciou a investigação no seu curso de pós-doutoramento, nos Estados Unidos, na Clemson University, com apoio da FAPESP e do IFSP. Ao retornar ao Brasil, Neilo deu continuidade à pesquisa com a participação dos estudantes do IFSP e a colaboração da Universidade de São Paulo.  “O trabalho vem sendo desenvolvido pela equipe com muito empenho, e a publicação de um artigo no Journal of Luminescence foi a forma de divulgarmos a nossa pesquisa.  A partir disso, houve uma repercussão nacional e internacional, e esse reconhecimento está sendo muito gratificante para toda a equipe, e também incentiva a continuarmos o nosso estudo.”

Maicon Gois, aluno do 3º ano de Licenciatura em Física do Câmpus São Paulo, foi bolsista do projeto e disse que ficou muito feliz com a repercussão positiva dos resultados da pesquisa. “O nosso trabalho obteve um alcance significativo, com toda a certeza esse foi um dos melhores cenários que poderia imaginar quanto à minha primeira participação na publicação de um artigo”, contou. Maicon disse ainda que não é mais bolsista, mas continua participando, juntamente com o grupo, da elaboração de artigos sobre novas investigações que surgiram após a recente e inédita descoberta com o cristal.

Outras descobertas da pesquisa

Além da descoberta principal, que possibilita usar o cristal na detecção de ultravioleta, o pesquisador e seus alunos obtiveram mais duas informações importantes. A primeira foi que a resposta do material à radiação UV é análoga à sua resposta à radiação beta. Isso significa que muitas mensurações de beta realizadas até agora podem ter sido afetadas pela interferência de UV.

A segunda, que permite que esse problema possa ser solucionado em dispositivos futuros, foi que o padrão de variação das duas respostas não é o mesmo. O material responde a beta de forma linear – isto é, sua luminescência cresce incrementalmente com o aumento da exposição à radiação ionizante, em curva contínua. Já no caso de UV, a variação da luminescência não apresenta linearidade. “Há um ponto de saturação a partir do qual a luminescência deixa de se intensificar com o acréscimo de exposição”, diz Trindade.

O artigo Thermoluminescence of UV-irradiated α-Al2O3:C,Mg pode ser acessado em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0022231319321775.

*Com informações da Agência FAPESP

 

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